15 December 2007 - 12:21IPTV e neutralidade da rede

Existe um novo serviço de IPTV na rede. Chama-se Zattoo, e ainda está em testes. Como eles mesmos dizem, é a TV aberta ao vivo na rede. O Zattoo pretende oferecer todos os canais abertos existentes através de seu sistema de IPTV. Atualmente está restrito à Europa e a canais europeus, mas já transmite também ao vivo a Al Jazeera em inglês, algo que a trinca Marinho-Murdoch-Slim não vai permitir tão cedo na Net.

Eles distribuem algumas licenças de teste para usuários fora da Europa, e fui agraciado com uma delas. Adorei poder ver (e sobretudo escutar) a Al Jazeera enquanto estou trabalhando. Mas, nem sempre consigo — depende da rede de banda larga em que estou conectado. Estou utilizando o Zattoo, portanto, para averiguar como as operadoras se comportam na censura a serviços de IPTV. Agora mesmo estou conectado via o Speedy, da Telefónica de España, aqui em São Paulo, com velocidade nominal de 1 Mb/s. Funciona perfeitamente!

Em caso, no Rio, faço a conexão via Virtua (da Net), onde a velocidade nominal é oito vezes maior. Mal consigo ouvir o som, e a imagem é entrecortada — claramente os pacotes do Zattoo estão sendo degradados na Net.

Em breve vou testar via Velox, da Telemar-Oi, e reportarei aqui os resultados.

Todos os datagramas são iguais perante a rede!

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10 December 2007 - 11:45Vista cego (relatório de uma vítima)

Troquei meu “velho” computador portátil (três anos de uso!) por um novo. O velho e bom HP dv1000 funcionava perfeitamente com seu Windows XP original e o Ubuntu Linux. Dois dias antes de uma viagem a trabalho ao exterior, o gravador de DVD pifou e afetou todo o sistema. Comprei no exterior um outro HP por pouco mais de US$500, muito mais avançado, claro. Comprei no varejo, em uma loja de departamentos em Los Angeles. Duas constatações:

1. Como se forma o preço de venda de eletrodomésticos (para mim hoje computador é eletrodoméstico, tão indispensável quanto uma geladeira) no Brasil? O notebook custou nos EUA US$600 no varejo (R$1.080). A HP vende no Brasil um computador com configuração similar por R$4.000 (ou US$2.100) — AMD Athlon X64 X2, 160 GB de disco, DVDRW camada dupla Lighscribe, 2 GB RAM).  Mas é claro que a HP não vai em uma loja nos EUA e compra o computador para trazer para o Brasil — ela traz da montadora na China a preço de custo, óbvio, certamente bem abaixo de US$600. Claro, o notebook estava em oferta nos EUA, mas não há imposto que justifique cobrar três vezes e meia mais caro no Brasil, principalmente com dólar baixo e as facilidades de redução de imposto recentes. O curioso é ver as páginas de “informática” dos jornais dizendo que os notebooks estão agora “baratinhos” no Brasil…

2. O HP em questão veio com o Vista. Além do que todos e todas já sabem (não reconhece vários dispositivos), é ainda um software proprietário em teste. Somos todos e todas, que têm Vista em seus computadores, cobaias involuntárias da Microsoft. Claro que não consegui trocar o Vista pelo XP — teria que pagar mais uma licença de US$200 (!). E a HP faz sua parte, recheando o computador com softwares com licença temporária, tentando induzir os usuários a adquirirem mais licenças. Primeira providência: limpar tudo isso e instalar Open Office, Firefox, Thunderbird, Gimp etc. O eletrodoméstico vem ainda com um pacote de jogos recheado de “adwares” para induzir a vítima a pagar por mais licenças. Uso em geral um monitor externo. Meu velho HP com XP e Ubuntu reconhecia o monitor. O Vista não consegue achar nenhum monitor externo (curioso: até a última atualização automática do Vista, ele achava…). Ainda não instalei o Ubuntu nele, mas meu velho desktop com Ubuntu 7.10 reconhece tudo.

Para que mesmo preciso desse tal de Vista?  Ou dos softwares da Microsoft?

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24 September 2007 - 19:58Paraguai: atentado contra a neutralidade da rede

Divulgo esta denuncia contra a COPACO (telefônica estatal paraguaia), que atenta contra a neutralidade da rede bloqueando todo o tráfico de telefonia via Internet (voz sobre IP, ou VoIP) desde o dia 22 de junho de 2007.

Ainda não chegamos a isso no Brasil (apesar de algumas tentativas da Brasil Telecom contra a GVT e o serviço Skype), mas não seria surpresa se chegássemos.

mensagem original em espanhol

La Compañía Paraguaya de Comunicación COPACO, bloquea el protocolo SIP desde el 22 de junio del 2007 constituyéndose en un grave atentado contra la neutralidad de la red y un claro caso de censura a internet en Paraguay. Ningún usuario particular, ni telecentro instalado en territorio paraguayo puede realizar comunicación telefónica por medio del IP o sea por internet. El acceso a la telefonía VoIP es una gran alternativa para la población de acceder a una comunicación mucho mas barata con sus familiares radicados en el exterior.

La siguiente es una denuncia presentada en la ciudad de Nueva York al Presidente de la Honorable Cámara de Diputados de Paraguay Oscar Salomón sobre dicho bloqueo:

Nueva York, de septiembre de 2.007.

Senor
Diputado Nacional Oscar Salomón
PRESIDENTE DE LA HONORABLE CÁMARA DE DIPUTADOS

De nuestra mayor consideración:

Nos dirigimos al Señor Presidente de la Honorable Cámara de Diputados del Paraguay a fin de de presentarle la siguiente denuncia:

El día 22 de junio del presente año, la Compañía Paraguaya de Comunicaciones, COPACO S.A. (en adelante COPACO) procedió al bloqueo o desconfiguración de unos puertos y protocolos de Internet necesarios para la transferencia de voz e imágenes, imposibilitando la comunicación a través del VoIP y la realización de video conferencias. Pese a las numerosas denuncias de usuarios paraguayos de Internet en el Paraguay y EEUU, directivos de la COPACO niegan sistemáticamente el hecho.

El protocolo SIP, conocido técnicamente como el protocolo de inicio de la sesión SIP, es una aplicación que se utiliza para establecer, mantener y terminar sesiones multimedia (audio y video por Internet). Mediante este protocolo se uede, y con mayor calidad, realizar comunicaciones de voz, como hablar de computadora a computadora, de computadora a un teléfono y de un teléfono a otro teléfono. Este sistema de comunicación se realiza gracias al avance de la tecnología VoIP.

Se conoce VoIP como un grupo de recursos que posibilitan que la señal de la voz viaje a través de Internet empleando un protocolo IP (Internet Protocol). También se la denomina como Voz sobre o Telefonía IP, esto significa que se envía la eñal de voz en forma digital en paquetes en lugar de enviarla en forma de circuitos como realiza la COPACO. El desarrollo de la tecnología VoIP ha posibilitado que miles de paraguayos accedan a llamadas mucho más económicas hacia y desde Paraguay.

La COPACO busca confundir a la opinión pública, diciendo que son los únicos autorizados por Ley de realizar llamadas telefónicas internacionales. Una comunicación telefónica utilizando el VoIP no tiene ninguna relación con la telefonía pública básica como es la COPACO, por lo tanto no puede tener ingerencia en llamadas telefónica mediante los puertos SIP.

Se debe aclarar que la tecnología de VoIP no es un servicio como tal, sino una tecnología que usa el Protocolo de Internet (IP) a través de la cual se comprimen y descomprimen de manera altamente eficiente paquetes de datos o datagramas, para permitir la comunicación de dos o más clientes a través de una red como la red de Internet. Con esta tecnología pueden prestarse servicios de Telefonía o Videoconferencia, entre otros. Ningún ente regulador puede ejercer control de la tecnología VoIP.

La principal ventaja del VoIP es que evita los cargos altos de telefonía (principalmente de larga distancia) que son usuales de las compañías de la Red Pública Telefónica Conmutada (COPACO). Algunos ahorros en el costo son debidos a utilizar una misma red para llevar voz y datos, especialmente cuando los usuarios tienen sin utilizar toda la capacidad de una red ya existente en la cual pueden usar para VoIP sin un costo adicional.

El bloqueo o la inutilización de los puertos SIP en Paraguay se puede considerar como un grave caso de censura a Internet y acto atentatorio contra la neutralidad de la red. Los usuarios finales en Paraguay no tendrán derecho a utilizar libremente esta poderosa herramienta de comunicación como lo hacen los ciudadanos de todo el mundo, menos en los gobiernos totalitarios. Miles de compatriotas que envían sus remesas en Paraguay no pueden comunicar con sus familiares de una manera económica y eficaz.

A ello cabe agregar que de acuerdo a la Constitucion Paraguaya vigente, los derechos de prensa e información son derechos fundamentales altamente protegidos y considerados como valores constitucionales a ser protegidos por el Estado Paraguayo, razón por demás para que vuestra Camara adopte medidas urgentes para impedir y evitar esta ilegal y perniciosa intromisión de la COPACO S.A. en los derechos de los ciudadanos paraguayos, y mas aun de los paraguayos que viven en el exterior.

Por lo expuesto solicitamos al Señor Presidente de la Honorable Cámara de Diputados, inicie en forma inmediata las acciones necesarias para levantar este injusto e ilegal bloqueo de los puertos SIP de Internet.

Será Justicia.

Miguel Acosta Alberto Sandoval Diez
Director Abogado
El Mirador Paraguayo
Asesor Legal

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14 September 2007 - 11:17Declaração importante do CGI.br

Ao longo dos últimos anos, o Comitê Gestor da Internet no Brasil vem sofrendo ataques sistemáticos e repetitivos de um grupo empresarial do Paraná (através de vários sítios Web no Brasil e no exterior controlados por esse grupo, e via listas de email e “spams” com remetentes falsos) que teve seus interesses comerciais afetado pela forma em que os nomes de domínio “.br” são administrados no país. Os conselheiros do CG, ante o recrudescimento desses ataques, além de ter adotado medidas jurídicas pertinentes, divulgaram a declaração abaixo sobre o assunto.

Declaração dos conselheiros do CGI.br sobre as denúncias forjadas por grupo empresarial contra a entidade

Essas denúncias infundadas não surgiram agora. É fundamental entender a origem e também por que sempre é o mesmo grupo que faz essas acusações (o que já deveria levantar suspeitas sobre as razões reais disso), que essencialmente são as mesmas com pequenas variações na montagem dos parágrafos.

Essas mensagens são parte de uma campanha feita por um grupo empresarial do Paraná que teve seus interesses comerciais contrariados pela forma com que o CGI.br administra nomes e números no Brasil. Há alguns anos, esse grupo registrou uma quantidade enorme de nomes de domínio (não há limite para o número de domínios que uma empresa pode registrar sob o mesmo CNPJ), com a intenção de tornar-se revendedores de nomes de domínio (tornando-se um “registrar”, que é uma intermediador de domínios, tanto de gTLDs — domínios genéricos globais — como de alguns domínios de países – os ccTLDs — que optaram por transformar seus domínios nacionais em mercadorias, algumas vezes geridos por empresas estrangeiras, tal como se fossem gTLDs).

No Brasil não existem “registrars” para o domínio “.br”, havendo somente uma entidade registradora (”registry”), o Registro.br, sob gestão do NIC.br e orientação do CGI.br, que distribui os domínios sob o ccTLD “.br” sem finalidade lucrativa e com os cuidados necessários para que este seja preservado como a identidade do Brasil na Internet e não como uma mercadoria. Quem vê um domínio “.tv”, “.st” ou “.fm”, dentre alguns outros, não sabe a que país se refere — são domínios que viraram domínios comerciais globais; seus respectivos países perderam sua identidade na Internet. Por exemplo, o domínio “.tv”, hoje usado por emissoras de televisão de todo o mundo, é de Tuvalu. Por outro lado, o “.br”, como o “.ca”, o “.de” e muitos outros, são administrados com a visão de identificar cada domínio com seu país. E o “.br” vai além — é administrado sem fins de lucro e com a visão de ser um bem da comunidade, com uma governança pluralista. Essa é uma conquista sacramentada desde a criação do CGI.br em 1995, e aprofundada a partir de 2003 com a eleição dos conselheiros não governamentais por seus próprios grupos de interesse.

É claro que nada impede que duas entidades negociem entre si o repasse de um domínio de uma para outra, mas isso não envolve o CGI.br e não é homologado pelo CGI.br — se houver problema nessa transação, nada o CGI.br poderá fazer para reverter o processo se a transferência do domínio seguiu as normas claramente estabelecidas pelo Registro.br.

O fato é que, ao tentarem registrar um domínio, as empresas brasileiras muitas vezes percebiam que o mesmo já estava registrado por esse grupo empresarial paranaense. Se não houvesse base legal para lutar pelo nome (como no caso de marcas registradas, nomes amplamente conhecidos como identificando determinada empresa etc), as empresas, ante o preço extorsivo cobrado por esse grupo, simplesmente buscavam outro domínio similar disponível e o registravam pelo valor padrão anual do registro.br. Isso acabou levando o negócio do grupo ao fracasso, e desde então este trava uma guerra suja contra o CGI.br para tentar mudar radicalmente as normas — com o propósito de simplesmente transformar o CGI.br em uma empresa negociadora de domínios, mudando as regras segundo os interesses do mercado e não do país.

A análise detalhada dessa saraivada de acusações totalmente infundadas toma tempo (trabalho que vem sendo exaustivamente feito pelo setor jurídico do CGI.br em vários processos judiciais sendo movidos contra o grupo), mas alguns pontos são óbvios:

- Desde que o registro de domínios no país começou a ser pago, há cerca de 10 anos, com a administração feita por um projeto da Fapesp em acordo com o CGI.br recém criado, as contas desse processo são rigorosamente auditadas e publicadas.

- Com o início da administração de nomes e números pelo NIC.br, a partir de 2006, manteve-se rigorosamente o processo de auditoria. Lembremos que desde 2004 o CGI.br é uma organização pluralista com membros escolhidos por eleições de todos os setores não governamentais (empresariais, acadêmicos e terceiro setor) e seria muito ingênuo imaginar que todos esses membros, com tal diversidade e sendo voluntários, estariam compactuando com as supostas irregularidades sistematicamente forjadas pelo grupo paranaense ao longo dos últimos anos.

- Outras acusações, como a falácia que as liberações de domínios sempre ocorreriam em feriados, não se sustentam. No caso da liberação de domínios existentes, basta pegar um calendário e conferir, lembrando que esses processos de liberação não são feitos de surpresa em um único dia, mas seguem rigorosamente regras claras explicadas em detalhe no sítio Web do CGI.br. Isso incomoda profundamente o grupo, que perde domínios por frequentemente usar CNPJs forjados ou “laranjas”, ou por não pagar as anuidades devidas, e esses domínios entram no processo de liberação para que outras entidades possam usá-los (note bem: pagando apenas a anuidade padrão do CGI.br).

Por exemplo, considerando a data de elaboração deste texto (10/9/2007), o próximo processo de liberação anunciado no sítio Web do registro.br ocorrerá de 06/10/2007 às 15:00 a 21/10/2007 às 15:00 — um total de duas semanas corridas — e a lista de domínios disponíveis para liberação será publicada em 01/10/2007. Mesmo com feriados ou fins de semana no meio (o que não é surpresa que ocorra em duas semanas corridas), convenhamos: há tempo suficiente para qualquer empresa candidatar-se a um domínio disponível para liberação.

Em resumo, nada resiste às bravatas e acusações do grupo. Para quem duvida e prefere acreditar em acusações completamente sem pé nem cabeça (basta ler em detalhe e prestar atenção para ver que são repetitivas, sempre a mesma coisa, e as “provas” são um amontoado de asneiras feitas para confundir quem não está informado sobre o que faz o CGI.br desde sua criação em 1995), basta verificar a abundante informação nos próprios sítios Web do CGI.br.

Todos os conselheiros concordaram que o CGI.br deve mover ações civis e penais contra o grupo, o que está sendo feito há algum tempo. Afinal, é a instituição como um todo que está sendo atacada, e não um ou outro conselheiro ou funcionário. Já houve condenações e ultimamente eles adotam inclusive o método de forjar emails de conselheiros para enviar mensagens com as mesmas denúncias de sempre (mais um ilícito penal), tendo inclusive movido seus sítios Web para servidores no exterior, ao serem impedidos pela Justiça de mantê-los no Brasil.

Só esperamos que as campanhas dos candidatos de todos os setores aos cargos de conselheiros do CGI.br não adotem métodos similares, ou ecoem esse tipo de jogo sujo — na verdade, com isso acabarão desmoralizados rapidamente e, se mesmo assim forem eleitos, terão que compartilhar a mesa com os outros conselheiros que estarão lá (tanto os de governo, que não serão trocados agora, como os que forem reeleitos) — uma situação no mínimo constrangedora ante os fatos.

Não se ganha nada em remuneração financeira como conselheiro do CGI.br, apenas muito trabalho voluntário se quiserem participar a sério da governança da Internet no país.

Por fim, é importante dizer que o CGI.br não é perfeito (nada é perfeito).

Já conquistamos muita coisa (os projetos CERT.br, PTT.br e CETIC.br são bons exemplos), mas estamos em doloroso processo de separação da Fapesp (em que esta retém os recursos excedentes do CGI.br, essenciais para uma política de apoio a projetos de alavancagem das TICs para o desenvolvimento humano no país) que ainda não foi concluida, e é preciso consolidar a legislação que deu vida a esta parceria pluralista única para a governança de um bem comum no Brasil, hoje considerada mundialmente como um modelo excepcional em seu campo, para que seja perpetuada e melhorada ainda mais.

10 de setembro de 2007

Assinam os conselheiros do CGI.br (em ordem alfabética de nomes):

Alexandre Annenberg Neto (setor empresarial)
Antonio Alberto Valente Tavares (setor empresarial)
Augusto César Gadelha Vieira (Ministério da Ciência e Tecnologia)
Carlos Alberto Afonso (terceiro setor)
Cássio Jordão Motta Vecchiatti (setor empresarial)
Demi Getschko (notório saber)
Gustavo Gindre Monteiro Soares (terceiro setor)
Henrique Faulhaber (setor empresarial)
José Alexandre Novaes Bicalho (suplente. Anatel)
José Roberto Drugowich de Felício (CNPq)
Luci Pirmez (comunidade científica e tecnológica)
Luiz Fernando Gomes Soares (comunidade científica e tecnológica)
Manoel Fernando Lousada Soares (Min.Desenv., Indústria e Comércio Exterior)
Marcelo Andrade de Melo Henriques (Ministério da Defesa)
Marcelo Bechara de Souza Hobaika (Ministério das Comunicações)
Marcelo Fernandes Costa (terceiro setor)
Mário Luis Teza (terceiro setor)
Nelson Simões da Silva (comunidade científica e tecnológica)
Nivaldo Cleto (suplente, setor empresarial)
Omar Kaminski (suplente, comunidade científica e tecnológica)
Plinio de Aguiar Junior (Anatel)
Renato da Silveira Martini (Casa Civil)
Roberto Francisco de Souza (suplente, terceiro setor)
Rodrigo Ortiz Assumpção (suplente, Min.Planejamento, Orçamento e Gestão)
Rogério Santanna dos Santos (Min.Planejamento, Orçamento e Gestão)

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26 August 2007 - 0:58A dança dos padrões na ABNT

Como se sabe, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entidade civil de direito privado, é uma das instâncias de definição de normas e padrões técnicos no país. Recentemente a ABNT abriu uma discussão técnica sobre padrões de formato de documentos digitais e viu-se envolvida em forte polêmica, ao criar um grupo influido pela Microsoft para analisar a proposta de pseudo-padrão OOXML — que requer componentes proprietários e patenteados da empresa para sua utilização.

A ISO (International Organization for Standardization) já aprovou o padrão aberto ODF (no qual é baseado o sistema OpenOffice, em software livre) e deve discutir em setembro os méritos da proposta da Microsoft. A ABNT estava inclinada a votar a favor do OOXML, mas ao final de acaloradas discussões, com significativa presença da comunidade de software livre, decidiu rejeitar a proposta e votará “não” na reunião da ISO. Para informação detalhada sobre o assunto, veja o blog de Avi Alkalay.

Veja também este resumo no blog de Renato Cruz.

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31 July 2007 - 20:37Seres humanos e as TICs

Deu n’O Globo, 30-julho-2007, caderno InfoEtc, [*] trabalho do compa André Machado. Ver abaixo.
Tudo ao mesmo tempo, sempre

André Machado

Falar de internet não significa mais falar apenas de tecnologia. A rede está tão entranhada em nossa rotina que muda aos poucos, todos os dias, nossa relação com o mundo e a vida. Pensando nisso, o consultor americano David Weinberger escreveu o livro “A nova desordem digital” (editora Campus. “Everything is Miscellaneous”, no original) para mostrar como as formas de (des)organização virtual têm impacto profundo em diversas áreas, inclusive na economia como um todo.

E nem é preciso ir longe demais com teorias “cabeça”. Um dos exemplos cristalinos citados no livro é a maneira como passamos a lidar com fotografia. Segundo David, um álbum físico de fotos armazena entre 15 e 200 imagens.

“Agora, dê uma olhada em seu computador. Se você têm uma câmera digital, deve ter salvado mil fotos em apenas alguns anos.”

As vendas das câmeras digitais começaram a ultrapassar as das câmeras comuns em 2003. Em 2004, foram vendidos 150 milhões de celulares com câmera, quase quatro vezes o número de câmeras digitais. Como as fotos digitais são praticamente gratuitas, tentamos tirar cada vez mais fotos, às vezes só para ver se conseguimos imagens melhores. Também armazenamos mais fotos, e nem sempre porque queremos. Como nossas câmeras aplicam aos arquivos nomes como DSC00165.jpg, é mais fácil manter as fotos ruins do que jogálas fora.” Arrumar direito tudo isso sozinho está fora de questão.

Daí sites que tornam a organização de imagens um fenômeno social, como o Flickr.

Hábitos já se adaptaram à era da informação Em entrevista por email, Weinberger conta que, sem perceber, modificamos muitos de nossos hábitos com a internet.

— Essas mudanças vêm desde o começo da web, e já contamos com elas — diz David. — Veja, lojas no mundo físico têm que arrumar seus produtos de algum modo; muitas usam o espaço contra nós, botando os produtos populares no fundo para que passemos diante de todos os itens que querem nos empurrar. Mas, se uma loja online nos obrigasse a olhar para produtos que não queremos antes de chegar aos que desejamos, nós sairíamos do site num segundo. [Bom, eles não nos obrigam, mas há os cookies…]

Segundo ele, também já damos como certo no ciberespaço que seremos capazes de navegar e buscar só as coisas que queremos naquele momento.

— Você não pode reorganizar num instante uma loja física, mas tem certeza de que conseguirá fazê-lo numa loja online.

As mudanças mais aparentes da nova desordem ciberespacial ocorrem onde as velhas formas de organização eram mais fortes.

Weinberger cita a forma como recebemos notícias como uma da revoluções mais importantes do mundo virtual, que afeta, por sua vez, a forma como interpretamos nosso ambiente político, cultural e econômico.

— Jornais e televisões precisam de editores para decidir o que vale notícia, o que devemos ver, e para decidir a hierarquia das matérias. Eles precisam chegar a uma capa única, a mesma para todo mundo — explica David.

— Mas, desde que a internet chegou, contamos uns aos outros o que achamos mais interessante, importante ou divertido no noticiário. Fazemos isso informalmente, em emails, listas de discussão, blogs e por aí vai. Agora surgem sites que permitem a grupos de usuários decidirem qual será a capa. Ele menciona como exemplos nos EUA o Digg.com e Reddit.com e diz que mesmo o jornal “USA Today” tem acrescentado parte dessa função a seu website.

Essa desordem digital seria uma tremenda oportunidade econômica, porque, para o autor, ela não é nem um pilha de coisas, nem uma bagunça total. É, sim, uma pilha em que cada um dos pedaços está “linkado” ao outro de diversas maneiras, que só fazem aumentar diariamente.

— Há valor incrível na forma com que os pedaços estão hiperligados uns aos outros — diz Weinberger.

— Essa riqueza de informação, essa riqueza de significado provê valor a ser cultivado. E sempre haverá novas oportunidades para criar melhores maneiras de achar o que precisamos.

O segredo, como ele deixa claro no começo do livro, é a substituição do físico pelo virtual, dos átomos pelos bits, da web-desordem aparente pronta para ser organizada segundo o desejo de cada usuário individual, de cliques no mouses em vez de passos em longos corredores encerados.

A questão é: 24 horas são suficientes para buscar tudo de que precisamos? Porque, quando mais se navega na internet, mais se tem a percepção de que o tempo é insuficiente para ir a todos os lugares. E só fazemos trabalhar mais e mais.

— Olha, essa reclamação vem desde o início da web, e sempre existirá — diz David. — Sempre haverá mais coisas a ler e ver do que conseguiríamos gerenciar em muitas vidas.

E ainda assim, pondera ele, a web foi criada justamente para resolver justamente esse problema do tempo.

— A web surgiu porque Tim Berners-Lee inventou um jeito de criar páginas com links clicáveis para outras páginas. Você não precisa pedir autorização a ninguém, nem ser programador.

Mas pense: o que é um link? É uma recomendação.

Ela diz: “aqui está outra página de que você pode gostar”. Ou diz “aqui está uma página que diz algo que acho errado”. A web foi inventada para nos tornar mais fácil recomendar e compreender páginas e sites.

Desde então, tudo que se faz é criar modos melhores de encontrar coisas na rede. Para o consultor, atualmente uma das tendências mais importantes é o desenvolvimento de redes sociais que nos ajudam a achar sites válidos baseando-se no que nossos amigos e conhecidos pensam deles.

— Com isso, estamos dominando juntos a internet.

Para Weinberger, a desordem que mais o afeta é a dos blogs.

— Posso encontrar perspectivas fascinantes nos lugares mais improváveis. E os blogs estão sempre linkados, conversando uns com os outros, de modo que essas perspectivas se refletem umas nas outras. Acabo tão hiperestimulado que mal consigo dormir à noite.

Tecnologia levou a uma pressão brutal no trabalho

Nem todos concordam que a nova desordem digital é o caminho certo para uma nova vida. Carlos Afonso, diretor de planejamento da Rede de Informações do Terceiro Setor (Rits) e um dos pioneiros da internet no Brasil, lembra que, apesar de todo o oba-oba em cima das novas mídias, para quem trabalha utilizando a grande rede como instrumento, a ferramenta número um continua sendo o email.

— E é preciso separar a festividade (o “hype”) da realidade do dia-a-dia — pondera Carlos.

— Você cria um blog, é aquela festa, mas descobre logo depois que é um inferno mantê-lo. Desperta o interesse de amigas e amigos, e outros, e acaba frustrado e os frustra, simplesmente porque você trabalha e não tem tempo para o seu blog, muito menos de ficar lendo o blog dos outros.

Ele crê que a grande mudança no trabalho que a internet trouxe, especialmente após a chegada das ferramentas de busca (culminando no Google), foi um aumento brutal da pressão por eficiência.

— Isso juntou-se ao computador em casa e no trabalho, uma máquina de escrever, calcular e imprimir que transforma cada pessoa (mesmo que não queira ou não possa) em secretária, datilógrafa, revisora, redatora, artista gráfica e produtora de conteúdos — contrapõe.

— Se você é um trabalhador que usa a Internet como instrumento hoje, você tem por hipótese todas essas funções ou habilidades, e se supõe que pode usar todas quase ao mesmo tempo!

Segundo ele, as empresas, a universidade, as escolas, a burocracia do Estado passam a esperar do funcionário, do cidadão ou do estudante um desempenho, nos últimos 10-15 anos, “que nunca pudemos ter desde o início da história humana”.

— Nós fomos projetados pela Natureza para esse desafio? As consequências para o corpo e o espírito ainda precisam ser medidas, teorizadas e analisadas, mas é óbvio que serão graves, afetando até nosso tempo de vida saudável — afirma Carlos. — Mudanças de comportamento para evitar essas consequências terão que vir e ser parte inclusive de políticas públicas e de padronização de ambientes de trabalho e lazer.

Lidar com informações é hoje um ato muito diferente Já André Kischinevsky, diretor do Instituto de Formação Internet (Infnet), não é um crítico do processo, apenas reconhece que tudo mudou. E que não há volta.

— Hoje, localizar, acessar, trocar ou adquirir informações é um ato muito diferente do que foi há pouco tempo. A forma de trabalhar é necessariamente afetada, na medida em que estamos inseridos em uma sociedade que, corretamente, nos exige o máximo de produtividade permitida pela tecnologia e processos disponíveis — diz André. — A existência de facilidades obriga os profissionais a se adaptarem.


[*] Não coloco o enlace, porque os executivos d’O Globo decidiram que, para ler os artigos, é preciso usar uma geringonça que imita o folhear de um jornal (de onde terá saído essa idéia de jerico?), e que dificulta a reprodução para pesquisa etc. Aliás, uma espécie de virus virtual (de reais consequências) que afetou os que decidem a cara dos jornais na Web, tanto n’ O Globo, como no JB e no Estadão. Padrões abertos, interoperabilidade, navegabilidade e acessibilidade… todos esses que decidem essas coisas nessas empresas jornalísticas, bem como os nerds que projetam essas páginas, devem ter visão 20/20, ouvir perfeitamente dos dois ouvidos, ter uso completo e perfeito de mãos, pernas e braços, pagar licenças caras à Microsoft e usar só os produtos dessa empresa etc etc… Triste: mais tecnologia, menos funcionalidade para o que interessa: o acesso pleno, claro e fácil ao conteúdo. Em tempo: a Folha ainda não se rendeu a essa festividade inútil. Vamos ver quanto dura…

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26 July 2007 - 12:13Recorde do Brasil segundo o Estadão…

Diz o Estadão hoje: “Brasil bate recorde de habitantes ligados à internet.” Paulo Zulino escreve [*]:
“Segundo o Ministério das Comunicações, as ações de inclusão digital promovidas pelo governo ajudaram o Brasil a obter o maior número já registrado de brasileiros conectados à internet.” Como assim? Estranho seria se “o maior número de brasileiros conectados à Internet” estivesse no Japão ou algo assim…

Na verdade o número continua ruim. Pouco mais de 15% das brasileiras e brasileiros têm algum tipo de acesso à Internet. Mais de 40% dos municípios continuam sem um ponto de presença das espinhas dorsais da Internet, ou seja, não têm acessso local à rede. Porcentagem similar de municípios não têm acesso local à rede de telefonia celular. E a tal “banda larga” (acesso a velocidade maior que via telefone e por custo mensal teoricamente fixo), além de custar cerca de cinco vezes mais que na Europa, por exemplo, só chega aos bairros mais ricos das maiores cidades. Só 3% das brasileiras e brasileiros têm acesso à “banda larga”, algo que na Coréia do Sul, por exemplo, alcança praticamente todos os usuários da rede.

Os números não mentem, especialmente os “per capita”. Temos que mudar isso, já se passaram quatro anos e sete meses de governo Lula e ainda não há consenso em torno de uma estratégia nacional detalhada, abrangente e coordenada de inclusão digital. O curioso é que democratizar “estradas digitais” é ordens de magnitude mais barato que construir estradas reais. Universalizar o acesso e formar as pessoas no uso adequado da rede é um dos projetos prioritários mais baratos de qualquer lista de prioridades estratégicas do governo.

Continuo acreditando que ainda dá tempo…

[*] Matéria do Estadão

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